Quem sou eu

1.27.2011



“MORRER. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu? O livro que ficou pela metade? O telefonema que você prometeu fazer a um amigo? Não sei de onde tiraram esta idéia... MORRER... A troco de que? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviram para nada, fez as provas, foi em frente, passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir e mais uma vez foi em frente e de uma hora pra outra, tudo isso termina. Qual é? Morrer é uma chatice, obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Os outros vão ser obrigados a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira, logo você que dizia: das minhas coisas cuido eu, que pegadinha macabra, você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue à próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer, não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã, faz-se check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito. Isso é para ser levado a sério? Ok, hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo? Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas só que esta não tem graça. Por isso viva tudo que há para viver. Não se apegue as coisas pequenas e inúteis da vida. Perdoe. Sempre!” 

Nenhum comentário:

Postar um comentário